quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Capa da Veja



Em fevereiro de 1991, chegou ao fim o Plano Collor, um projeto econômico antiinflacionário que, depois de dez meses de experimentação, resultou em 20% de inflação. Há 28 anos, a então ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello estampava a capa de VEJA com o anúncio de um novo plano. Acompanhava a frase: "Deu errado. Começa tudo outra vez", dando o tom do enfado com que a população via o nascimento do Plano Collor II após o "lastimável fiasco" do primeiro, como descreve a reportagem. Em março de 1990, o governo já havia confiscado 65% dos ativos financeiros existentes, mandando para o espaço o respeito à propriedade privada ao bloquear contas correntes e cadernetas de poupança. Para dar uma dimensão do tamanho do novo plano, a matéria trazia um glossário com expressões que se tornariam familiares à época, como "tablita" (a "tabela da deflação" para contratos assinados a partir daquele ano, depreciando valores estabelecidos) e "tarifaço" (aumento de até 60% em tarifas públicas, como energia elétrica e gás de cozinha). O plano Collor II teria fim com a saída da ministra três meses depois. Processos para sanar prejuízos decorrentes de suas medidas, e também dos planos Verão e Bresser, ainda estão em andamento na Justiça brasileira. Até setembro de 2019, 76% dos associados ao Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) ainda não haviam recebido sua indenização.